sábado, 11 de julho de 2015

Declaração de princípios.

Num mundo cada vez mais pluralista como o que vivemos, surpreendemo-nos o que pensam os nossos amigos mais próximos e descobrimos idéias semelhantes em quem discordamos de quase tudo.
As redes sociais democratizaram o direito de emitir opiniões. Isto é um golpe na ideia de que temos o direito de controlar o que outros pensam.
Podemos nos decepcionar, questionar, debater, discordar, mas não podemos entrar no profundo dos corações onde só Deus tem acesso e mesmo ele, com todo o poder e autoridade que tem, dá a liberdade de pensar e viver as consequências de princípios que professamos.
Uso este canal de meu livre pensar para fazer uma pequena declaração de princípios para que se alguém tiver que se decepcionar comigo, que o seja pelo que eu realmente disse ou escrevi e não pelo que imaginam que penso. Gosto de consenso, luto por ele, mas não negocio meus princípios, embora continue amando pessoas de quem discordo até as fímbrias do ser.
Meu maior princípio: Amo Jesus com todas as minhas forças, porque ao me aproximar dele, relaciono-me com o Pai pela ação do Espírito Santo. Fui conquistado por ele e isso move meus outros princípios. Tenho muitas teorias a respeito de como isto acontece, opinião compartilhada pela grande maioria dos que têm a mesma experiência, mas não me atrevo a dizer que sou dono da verdade acerca de Deus, embora esteja disposto a dar a minha vida pelo que acredito.
Acredito na liberdade concedida por Deus ao ser humano como parte da imagem de Deus no homem.
Creio também que usamos mal esta liberdade e por isso, graças a Deus, nossa liberdade não é ilimitada. Mas creio suficientemente no desejo de Deus, manifestado na cruz do Calvário, em sermos livres que, mesmo podendo intervir a cada ação humana, ele não o faz. Deus se fez homem para nos transformar em seres livres e responsáveis, com uma natureza outrora corrompida, mas agora transformada e com capacidade de ser educada pela presença, influxo e poder do Espírito de Deus, além de outros meios ordinários da graça comum.
Por isso creio na transformação das pessoas!
Por mais corrompida que alguém possa ser pelas ações mais sórdidas ainda acredito no poder da regeneração de vidas através da presença do evangelho. Senão, mudaria de profissão, não poderia ser pastor, professor e conselheiro se não pensasse assim.
Creio na Graça de Deus!
A graça de Deus é a sua perfeição que nos abre a porta ao seu amor. Ela se manifesta naqueles que a acolhem através de transformação de caráter, mudança de atitudes, reformulação de princípios. A Bíblia chama de regeneração ou Novo Nascimento... Mas creio, também, que a graça age em toda a humanidade indistintamente, em todos os lugares, em todas as tentativas de aproximação do sagrado chamadas religiões e até nas tentativas de fugir de Deus, seja em que forma for
A teologia chama essa manifestação da graça de graça comum.
Ela está disponível a todos, permeia tudo, até nas profundezas...Esquivar-se a ela é o princípio do inferno.
Manifesta-se na poesia, na arte, na engenhosidade humana, na natureza, na música, profana ou não, até na religião.
As coisas mais belas que existem e as grandes descobertas que nos abençoam são algumas das evidentes manifestações de que Deus não desistiu de nós.
Por isso acho que as pessoas têm o direito de ser educadas desde a sua tenra infância e mesmo os malfeitores mais cruéis podem ter o direito de serem apresentados a Jesus, nem que seja no momento de seu castigo e morte, como na cruz.
Baseado no modo de agir de Jesus, também creio que os traidores têm o direito de ter seus pés lavados pelo rei dos reis, embora não o mereçam. Mas, quem o merece?
Os endemoniados mais possuídos podem ser alcançados por Jesus na porta dos cemitérios onde eles se destroem a si mesmos e aos outros que, incautos, passam por ali.
Mas como?
Creio, com todo o meu coração, que aqueles que amam a Jesus aceitam a incumbência de serem agentes da graça de Deus na vida dos desgraçados. Desgraçados são os refratários à graça de Deus, por isso, des-graçam-se, e são eles que mais precisam de amor.
Acredito na igreja como um dos agentes usados por Deus para que a graça de Jesus chegue aos desgraçados, mas não sou ingênuo em achar que ela é única neste mister.
Outros agentes do amor de Deus não estão na igreja, como diria Agostinho, graças a Deus! E creio que Deus não se importa em usar jumentinhos e mulas, pedras e incrédulos para se fazer presente, embora ele prefira usar aqueles que o amam, quando estes o deixam.
Enfim.
Creio que há esperança para mim.
Para o ser humano.
Para as crianças e os adolescentes.
Para os perseguidos e injustiçados.
Para a igreja.
E até para o nosso país, o Brasil, pelo que tenho orado muito mais, ultimamente.
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