sábado, 12 de julho de 2014

Não teve Copa, afinal..

O final melancólico da Copa das Copas é a cara do que está acontece com a nação brasileira.
Uma grande festa teve lugar no Brasil e a simpatia e jeito brasileiro se destacaram como sempre. No fim, a festa é dos alemães ou argentinos. Ah! Dos holandeses também.
Nem dá pra comemorar a melhor posição da seleção brasileira em Copas do Mundo desde 2002, com o próprio Felipão à frente do título do Tetra!
Em doze anos saímos do melhor futebol do mundo para um futebol, que só chegou às semifinais porque, sejamos honestos, não enfrentamos o que há de melhor no mundo, salvo o futebol alegre e pra frente da Colômbia...
O que aconteceu no Brasil nos últimos doze anos foi muito parecido.
Esclareço aqui que não sou contra ou a favor de nem um partido no momento atual. Nem sei em quem votar pra presidente na próxima eleição...
Mas o Brasil viu os países de seu recém criado bloco,  BRICS,  navegarem na onda de prosperidade que varreu o mundo antes do tsunami daquela bolha que até hoje pouca gente entendeu.
Foram somente as marolas da crise e da prosperidade que chegaram ao Brasil. O verdadeiro tsunami talvez ainda esteja a caminho.
Enquanto a Alemanha reestruturava seu futebol desde às bases e os Estados Unidos tentavam se reinventar, os BRICS investiam em educação, infra-estrutura, abertura da economia, acordos multilaterais e o Brasil ainda apostava que se o Felipão voltasse à seleção, o hexa viria.
Não veio. O que veio foi o Hepta, 7 a 1 e depois o Tri, de novo, 3 a 0 da Holanda.
De novo a Holanda nos tira a alegria do futebol. É verdade que, desta vez, só o fiapo de riso que nos sobrou, depois de sermos atropelados pela Blitzkrieg de Ângela Merkel.
Wladimir Saflate disse tudo quando falou que a Copa das Copas seria um final perfeito de um plano de que foi iniciado logo após o Penta campeonato em 2002.
Então veio a República de Ribeirão Preto, o mensalão do governo, o mensalão da oposição, o mensalinho do baixo clero, as bicicletas, as ambulâncias, Belo Monte, o Brasil financiando obras de companheiros, mais médicos e um programa de distribuição de renda elogiado no mundo inteiro que se degenerou no maior plano de clientelismo desde a época dos Coronéis. Uma espécie de mensalão ampliado e miserável.
E que não venham nos dizer que não fomos campeões na Copa das Copas.
Fomos campeões sim, em "saltos orçamentários".
Nos falaram de Legado, mas aquele famoso bolo que diziam que iria crescer bastante antes de ser dividido com todos agora está sendo vendido em troca de votos.
A Copa das Copas juntou um time cheio de talentos, mas sem esquema tático. Muitas promessas sem saber o que fazer em campo. Técnicos comprovadamente campeões que insistem em jogar como na Copa das Confederações, que eles pensam ser como o escrete de 70. Aliás, alguém sabe o que é escrete?
Como na economia,  na infra-estrutura, na educação, no empreendedorismo, na segurança, na saúde; também no futebol dependemos de talentos individuais que se reinventam em momentos geniais de  jogos que quase não aconteceram em 2014.
Uma coisa foi muito positiva nesta copa: ninguém mais vai falar do "Maracanaço" de 1950 e Barbosa foi redimido, finalmente... Criamos um novo fantasma: o Mineiraço, símbolo dos novos recordes que estabelecemos: a maior goleada de nossa história, superfaturamentos incalculáveis, desmandos prepotentes da Fifa, a defesa mais vazada da história de nossa seleção em Copas do Mundo e o maior xingamento da maior multidão no momento mais embaraçoso de uma "presidenta" em toda história... Talvez só Hitler tenha sido mais humilhado em sua própria Olimpíada.
Quem vai nos redimir assumindo o lugar do eterno culpado de todas as derrotas: o técnico? Porque foram convocados onze "Freds"? O que será de nós sem o Neymar e o Thiago Silva, injustiçados pelo árbitro?
Até quando procuraremos "Salvadores da Pátria" ou "Bodes expiatórios"?
Moinhos e Dragões assombram o Brasil e ainda procuramos os cavaleiros da triste figura para lutar contra moinhos vestidos de laranja ou com a camisa do Flamengo pensando que estes são os dragões...
Nem se diga que o verdadeiro dragão, aquele que dizem ter sido morto e enterrado pelo plano Real, já ressuscitou camuflado e está esperando o fim da Copa para, junto com los hermanos ou com os simpáticos alemães, levar embora a nossa Copa, nosso legado, nossas divisas, nosso sistema de metas e nossos juros. Quando ele se revelar, a explosão dos preços será no ritmo das avalanches que destruíram nossas encostas enquanto os alugueres sociais eram roubados por prefeitos descarados.
Isso me lembra: há mais uma Copa a ser jogada. Será em outubro e novembro de 2014 e acho que vamos levar de goleada, novamente!
Eu acreditei que nossa seleção ainda podia virar o jogo, mas, infelizmente não consigo ter o mesmo otimismo com os jogadores que se apresentam para os jogos políticos, cujo legado engoliremos pelos próximos quatro anos ou mais...
...
É... Não houve Copa.
Se houve, o sonho acabou.
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