sexta-feira, 23 de março de 2012

São as águas de março... Promessa de vida no teu coração?


Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus rebentos.  Se envelhecer na terra a sua raiz, e no chão morrer o seu tronco, ao cheiro das águas brotará e dará ramos como a planta nova. Jó 14.7–9.


Tom Jobim compôs e vários cantores, especialmente Elis Regina, marcaram com suas vozes a música “Águas de Março”, da qual retiro o título desta meditação. A poesia da letra desta canção nos lembra de que as chuvas características do final do mês de março no Brasil, em especial no sul e sudeste, marcam o fim oficial do verão e o começo da próxima estação que é o outono. De fato, o outono começou na madrugada do dia 20 de março exatamente às 2:15h. Neste momento a terra estava em um dos dois equinócios que ocorrem durante um ano.
  Equinócio é posição da Terra em relação ao seu eixo e ao sol que faz com que os dias e as noites recebam exatamente a mesma quantidade de luz e sombra em ambos os hemisférios.
Esta complicação toda é para dizer que no equinócio o dia tem exatamente 12 horas de sol e começa às 6:00h da manhã e a noite, da mesma forma, fica sem luz 12 horas e começa exatamente às 18:00h.
Lembrei-me das palavras angustiadas de Jó 14, especialmente o texto em destaque. Neste capítulo em especial Jó medita sobre como nossa vida é breve e pode ser dolorosa. No meio da dor e das angústias que ele está suportando sem entender por que, ele nos diz que há mais esperança para as árvores do que para os seres humanos, pois aquela, mesmo que tenha sido cortada, ainda terá brotos para continuar a sua semente. Mesmo que suas raízes estejam secas, ao cheiro das águas, brotará.
Não sei o que me veio primeiro ao pensamento. Se foi a música do poeta brasileiro ou a expressão tão poética do patriarca bíblico, mas associei os dois pensamentos quase que imediatamente.
Tom Jobim também está falando de vida e morte, de começo e fim, das ambiguidades da vida, das dores do viver, afinal as águas de março fecham o verão. No outono, as folhas caem, as árvores secam e no inverno brasileiro não neva, mas normalmente a chuva deixa de cair. As águas de março encerram a estação mais feliz e frutífera para os compositores e poetas da bossa nova, especialmente. Chego a pensar quem sem o verão brasileiro não haveria bossa nova...
No entanto, ele também fala da promessa de vida no coração.
Olhando as chuvas de março, e o efeito sobre a natureza percebemos que mesmo sendo um prenúncio do outono e do inverno, as águas de março também anunciam que haverá verão novamente.
A Palavra de Deus também nos fala desta sazonalidade da vida. De como a tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer. O arco-íris, depois das chuvas, nos lembra da aliança que Deus fez com os homens após o dilúvio. Jó mesmo tornou-se como a árvore que ele tanto admirava. Seu tronco e seus rebentos (filhos) foram cortados, mas ele voltou a brotar. Suas raízes pareciam ter secado e morrido, mas o Senhor restaurou a sorte de Jó enquanto ele orava pelos seus amigos (Jó 42:10).
foto evaldoberanger: arco-íris em Copacabana.
Se a noite lhe parecer longa demais ou fria demais, lembre-se que é o equinócio de outono e que o dia terá tanto sol quanto a noite, trevas. E se o inverno vier e o solstício de inverno lhe alcançar fazendo com lhe alcance a noite a mais longa de todas e o dia o mais curto de todos, lembre-se que mesmo a noite mais fria e longa do ano também chega ao fim.
Seja como a árvore que ao cheiro das águas, brota novamente! Lembre-se do nos diz o salmo 92:12-15: O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano. Plantados na Casa do SENHOR florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o SENHOR é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.
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