segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Este é o dia que o Senhor fez...

Jesus sempre teve um interesse especial pelas cidades, pois nelas as pessoas vivem! Ás vezes ele se retira para o deserto ou para a montanha para meditar, jejuar, falar com o pai em solitude restauradora, mas sempre voltava para onde havia gente. Algumas cidades marcaram a vida e ministério de Jesus de maneira especial. Vilarejos como Belém ou Caná da Galileia, cidades hostis como Gerasa ou Samaria. Ele cresceu e viveu em cidades que adotou como suas, tais como Nazaré ou Cafarnaum e tornou-se famoso em grandes metrópoles como Jericó e especialmente Jerusalém. Em todas elas ele deixou a sua marca! No calendário litúrgico adotado por muitas igrejas cristãs o domingo que antecede o domingo de Páscoa é lembrado e marcado como o domingo de ramos. Ele relembra o dia que Jesus entrou em Jerusalém uma semana antes de sua morte e ressurreição. Uma semana marcante na história da humanidade, tão marcante que até hoje é lembrada como a “semana santa”. Uma semana que faz diferença na vida de milhões de pessoas desde aquela época até hoje! Ao entrar em Jerusalém, Jesus quis demonstrar claramente quem ele era e qual a natureza de sua chegada a Jerusalém. O modelo foi tirado de um profeta pós-exílico que, em um tempo de reconstrução do povo, fala do rei ideal, que sabe conciliar a humildade com a realeza. Um rei cuja força se encontra na alegria e na esperança; a justiça e a salvação. Basta-nos ler a profecia de Zacarias 9:9-11 para encontrarmos expressões e palavras como: Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta... Ele anunciará paz às nações... Tirei os teus cativos da cova em que não havia água. Voltai à fortaleza, ó presos de esperança... Esta profecia associada ao Salmo 118:25-27 que brotou espontaneamente dos lábios dos discípulos e moradores de Jerusalém: 25 Oh! Salva-nos, (Hosana em hebraico) SENHOR, nós te pedimos; oh! SENHOR... Bendito o que vem em nome do SENHOR... Adornai a festa com ramos... Nos dão o tom, a intenção e a situação vivencial da Entrada Triunfal em Jerusalém! Jesus via para a cidade que representa a paz (Yerushalayim – tem em hebraico a raiz de Shalom – paz), como um rei justo e salvador, humilde, para trazer a alegria e a paz às nações. O povo entende a mensagem e o recebe com as palavras e os gestos descritos no salmo de entronização dos reis da dinastia de Davi: com ramos, com gritos de júbilo e alegria. O salmo 118, porém também fala em 22 a 23 que... A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular... Este é o dia que o SENHOR fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele. Está tudo ali. O script está pronto. É na cidade santa que o drama da paixão vai se desenrolar. Recebido como rei, perseguido como agitador preso e julgado às escondidas, entregue aos gentios e crucificado como um bandido. Ele levou sobre si as nossas dores e fora da cidade derramou seu sangue para alcançar os que estão em todas as cidades dos homens. Hosana (Oh salva-nos!) dizia o povo e alguns dias depois gritavam perante Pilatos: Crucifica-o! Será o mesmo povo? Onde estavam os discípulos? Onde, as multidões que foram alimentadas até fartar-se? Onde, as centenas de pessoas curadas e libertadas por Jesus? O domingo de ramos nos fala da imensa capacidade de Deus de se juntar aos homens, chorar por nós e dar a sua vida por nós. Fala também da vileza humana, de sua sordidez. De como somos como crianças na praça que não sabemos o que queremos a não ser que Deus dance conforme a nossa música. De como não nos submetemos aos planos de Deus e o rejeitamos porque a sua entrada triunfal não foi como a dos generais romanos. Estes eram guerreiros “vitoriosos” que traziam prisioneiros para o espetáculo de massacres. Estes se tronavam “deuses augustos” pela prosperidade que traziam para os miseráveis de Roma assistir os nobres gastarem. Jesus conquistava com outras armas. Sua montaria não era um fogoso Alazão, mas um humilde jumentinho. Seus conquistados não o eram pela força, mas constrangidos pelo amor. Sua coroa não era de ouro, mas de espinhos. Seu trono era uma cruz. Sua estratégia a própria morte, sua vitória, a ressurreição. De fato, este é o rei que prefiro servir. Para ele eu faço um tapete com minhas roupas mais caras. Subo às palmeiras e balanço os ramos e grito verdadeiramente: Hosana! Oh! Salva-nos, Senhor. Este é o dia que o Senhor fez. Alegremo-nos e regozijemo-nos nele. Só peço a Deus que me fortaleça para que, pouco depois, eu não esteja em meio à outra multidão gritando: Crucifica-o! Salva-nos Senhor, de nossa própria inconsistência! Texto do Boletim de 14 de abril de 2011 - Domingo de Ramos
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