sábado, 22 de agosto de 2009

Por que Peninha?



Peninha é um apelido antigo. Fazendo as contas, ele passou a fazer parte de minha história por volta de 1974. Pois é, o Brasil perdeu a copa do mundo e eu ganhei meu apelido. Foi numa roda de amigos, onde cada um tinha que ter um apelido prá entrar. Uma espécie de ritual de iniciação. Alguém fez uma gozação com o personagem de histórias em quadrinhos trapalhão e desastrado, primo do Pato Donald, sobrinho do Tio Patinhas e o apelido pegou, ou não... O apelido que realmente fez sucesso foi o do meu irmão mais novo "o cyborg".
Isso sim é que era apelido legal. Era um seriado de televisão com o Lee Majors que fazia muito sucesso: O homem de seis milhões de dolares! E meu irmão imitava o Lee Majors correndo em câmera lenta com musiquinha e tudo.
O apelido dele não durou muito, mas o meu tinha um certo charme.
Ah! foi também o ano de meu primeiro namoro e primeiro beijo. Foi a primeira vez que senti meu coração bater daquele jeito, mas essa história fica prá outro post.
Quando mudei de casa, de bairro, de namorada e de cidade, o apelido me acompanhou. Na verdade eu tinha um certo carinho por ele. Virou meu segundo nome, um espécie de alter-ego. E como as meninas gostavam!
Convém dizer que ganhei o apelido com 11 anos de idade e aos 14 já trabalhava numa livraria como "faz-tudo" ou "serviços gerais", como estava em minha Carteira Profissional. Esta função incluia, principalmente, varrer o chão e carregar caixas de livros e cadernos. Foi aí que minha cultura de Almanaque começou...
"Esse Peninha deixa tudo limpinho" ouvi, certa ocasião meu chefe dizer. Em outra, ele me chamou e realizou meu sonho: trabalhar como balconista e vendedor de livros. "Peninha" tornou-se então um bom marketing pois eu ganhava por comissão. "Peninha" passou a ser uma marca, uma logomarca e eu nem me dava conta de que estava fazendo Merchandising. Era bom que as pessoas lembrassem meu nome e, embora Peninha, não fosse bem um nome, era fácil de lembrar e fazia as pessoas rirem ( o que era bom para as vendas) e, é claro, as meninas gostavam... ( o que era muito bom pro restante...)
Mesmo quando surgiu um cantor com mesmo apelido e as pessoas achavam que meu apelido era em homenagem ao cantor, eu explicava pacientemente: Não é o cantor não, é o do gibi.
Dois grandes momentos de meu apelido e do personagem da Disney (Fethry Duck - Ah seu eu soubesse o nome em inglês naquela época!) foi quando ele ganhou seu primeiro almanaque e se transformou no Morcego Vermelho.
Aí, meu alter-ego, passou a ter um alter-ego! Não e demais?
Mas, prá encurtar a história, a cada mudança de ambiente: do trabalho prá escola, da escola para o grupo de teatro, do grupo de teatro para o movimento secundarista, do movimento secundarista para a igreja, da igreja para o seminário, o "Peninha" sempre me acompanhou. Deu uma pausa quando fui ordenado Pastor e fui para Araraquara (isso mesmo, eu sou pastor!). Mas retornou quando voltei prá Sorocaba, onde tudo começou. Nesta época (1991). Não era mais Marketing, nem estratégia de conquista entre as meninas. (Casei-me como Evaldo mesmo, sem precisar do Peninha). O apelido se tornou uma herança da adolescência...
Uma destas heranças que a gente guarda como uma lembrança boa no coração.
Quanto ao Almanaque, bom, isto é assunto para outro post.
Até lá
Postar um comentário